Desenvolvedor: Contrebasse
Plataformas: Web
Data de lançamento: 2010
Gênero: Casual
Duração: Variável
Uma visão sobre o "amor"
O autor desse jogo parece ter feito explicitamente o que foi feito implicitamente no jogo El Beso. Este é um jogo que funciona segundo as regras dos relacionamentos modernos. Parte do pressuposto que todo sujeito está em busca de atenção para obter felicidade. A felicidade é o objetivo máximo da vida, e o único critério para se relacionar ou deixar de se relacionar com alguém é a felicidade que pode ser obtida com isso.
O objetivo no amor, segundo o criador do jogo, é acumular o máximo de felicidade possível, e isso é feito estabelecendo relações transitórias com o máximo de pessoas possível, de preferência ao mesmo tempo. O jogador deve se aproximar das pessoas o suficiente para que elas te dêem atenção e ele possa extrair felicidade disso. Mas não pode chegar perto demais, porque isso machuca e o jogo acaba. O que vemos nessa “teoria jogável”, lembrando da crítica de Magnani ao jogo Free Culture, é que as relações são regidas pelo prazer. O prazer é aquilo que faz sua cabeça girar, ou seja, causa desorientação. Você se torna mais atraente na medida em que mais pessoas estão prestando atenção em você. Mas você não tem outra opção. Ser fiel a uma única relação é praticamente impossível, e o resultado não seria segurança, mas apenas uma baixa quantidade de felicidade.
As dicas do jogo são afirmações disfarçadas sobre como se relacionar num mundo fluído. Por exemplo, uma das dicas diz que de vez em quando acontecem coisas estranhas no amor, e que você não deve procurar explicá-las, mas apenas se adaptar a elas. Também diz que não importa o quão feliz você esteja, porque o amor sempre acaba, e você deve começar de novo o quanto antes. Outra ainda diz que amar é aceitar riscos. Este é o primeiro jogo desse autor, mas ele mostrou claramente e de modo simples como funcionam os relacionamentos em tempos líquido-modernos.


