03/11/2010

The Day

Desenvolvedor: Gregory Weir
Plataformas: Web
Data de lançamento: 2010
Gênero: Game art
Duração: Cerca de 15 minutos, com dois finais

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Inventando novos jogos de guerra

The Day é um jogo conceitual diferente, porque ele pode ser experimentado de dois modos totalmente diferentes sendo um único jogo. Gregory Weir criou também outros jogos muito interessantes como "How to raise a dragon", "The majesty of colors", "Exploit" e "Silent Conversation". Em "The Day", o jogador controla uma menina de uma pequena vila que está fazendo aniversário e ganha uma carta de um jogo de estratégia. Fazendo referência a jogos como Pokémon, você tem que duelar com outras crianças para conquistar todas as cartas.


No lugar de monstros, as cartas desse jogo representam soldados e máquinas de guerra. Escolhendo a ordem correta de desafiantes, você pode conquistar carta por carta, sem desconfiar que o jogo está de fato simulando uma situação real e muito mais próxima do que parece. Se ao invés de continuar jogando você preferir ignorar os avisos dos adultos, entrar na floresta e descobrir o que há lá, irá se deparar com um cenário devastado pelas mesmas situações de guerra que aparecem no jogo de cartas.

The Day nos lembra que enquanto estamos nos divertindo com jogos de guerra, a guerra real está acontecendo ao nosso redor, e que podemos estar nos entretendo com a simulação daquilo que causa dor e sofrimento a milhares de pessoas no mundo inteiro. Então, a pergunta é porque é tão fácil se entreter com a guerra, e tão difícil pensar seriamente sobre ela.

Você pode dizer que é melhor jogar do que fazer guerra de verdade. Mas uma coisa realmente exclui a outra? Nosso país está nesse momento fazendo operações de guerra com o dinheiro dos impostos. Não somos de certa forma responsáveis?

Este é só um pequeno comentário sobre como os próprios criadores de jogos estão tentando fazer uma conexão entre os jogos e a realidade.

1 comentários:

Henrique Magnani disse...

Outro excelente jogo, Janos. Nossa, eu estava um pouco por fora desses últimos jogos produzidos e estou com a impressão de que esses artistas estão amadurecendo, felizmente, o trabalho artístico via jogos.
Isso é muito bom. Esse jogo consegue ligar com coisas muito interessantes entre local/global, a lógica do que é ser bélico ou competitivo e como isso pode ser interpretado pelas crianças. Querendo ou não, elas pegar um jogo "competitivo" e lidam de uma maneira "colaborativa" ao reinterpretar uma das regras do jogo, excluindo a possibilidade da aniversariante perder.
Acho que há uma profundidade nessa sobreposição de realidades e complexidades, que nos deixa com um gosto amargo ao entender aquilo como uma prisão, mas também há algo de bonito em como, por meio desse jogo de cartas bélico, várias socializações e carinhos são trazidas.
Weir e Venbrux mostram-se poetas do jogo... espero que os anos nos tragam ainda mais possibilidades artísticas...