03/03/2010

The Lost Tribe


Desenvolvedor: Frank Andrews
Plataformas: Windows (DOS)
Data de lançamento: 1992
Gênero: Estratégia
Duração: Variável

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Um ilustre desconhecido

The Lost Tribe é um jogo de estratégia educativo. O vulcão sob o qual sua tribo vivia entrou em erupção, o líder do grupo foi morto, e você foi escolhido pelos anciões como novo líder, devendo assumir o fardo de guiar o grupo até a terra de seus ancestrais, sob outro vulcão adormecido onde a comida é farta. Falhar nessa missão significa que você será expulso da tribo, e um membro ambicioso poderá tomar seu lugar. O jogo tem uma apresentação gráfica muito boa para a época, usando fotos digitalizadas para criar sequências de animação, e ainda uma mini-enciclopédia eletrônica onde você pode aprender como funciona uma organização tribal pré-histórica. É um jogo didático, desafiador e divertido.

Com vários níveis de dificuldade e uma jogabilidade relativamente simples, que lembra os jogos de tabuleiro, The Lost Tribe também exige do jogador algumas habilidades interessantes para estudo em sala de aula. Aqui vão algumas delas:

* Capacidade de liderança e planejamento de ação
* Interpretação e avaliação de opiniões que entram em conflito
* Resolução de conflitos e desenvolvimento de critério de julgamento
* Observação detalhada das informações
* Compreensão do papel das crenças e tradições numa cultura

A característica do jogo que permite isso não é a estratégia necessária para vencer um cenário, mas sim os eventos aleatórios que acontecem durante o jogo, envolvendo os membros da tribo, cada um com sua personalidade distinta, que entram em conflito e exigem que você tome partido e faça uma decisão, que pode ter consequências boas ou ruins para o grupo, e determinarão se você será um bom líder. Com o passar do tempo, a convivência com esses personagens pode ensinar o jogador sobre o que esperar de cada um deles.

O modo de jogar é bem simples. Você deve escolher para onde a tribo deve ir, e há dois modos de movimento: rápido e cauteloso, e você pode mandar exploradores à frente para fazer reconhecimento do terreno antes de mover a tribo toda para lá. A tribo precisa treinar sua habilidade na caça, procurar bons locais de caça, descobrir que tipos de animais vivem ali, fazer esculturas, eventualmente realizar festas e ter momentos de descanso. No fim de cada turno, você deve escolher se os membros vão comer bem, comer pouco ou ainda dormir sem comer. O maior desafio é manter a tribo feliz e bem alimentada. É preciso escolher bem para onde se mover e quanto tempo passar num mesmo lugar.

Este é um jogo feito com a intenção de ser educativo, mas nem parece, de tão divertido. Sim, porque infelizmente os jogos feitos para serem educativos tendem a ser os menos divertidos. Embora tenha sido criado para se adequar ao currículo de estudos sociais (social studies) e pensamento crítico (critical thinking), também vi um site de antropologia citando o jogo.

The lost tribe é hoje um abandonware, isso é, um software abandonado, que não fez sucesso. Porém, permanece como um exemplo a ser seguido. Ele não falhou em nada, quem falhou foi o público, por mais que os empreendedores da área de jogos não compreendam dessa forma.

4 comentários:

Henrique Magnani disse...

Engraçado. Eu tenho muita dificuldade para me envolver com jogos com esses tipos de gráfico. Para mim, são completamente "não-amigáveis". Você havia o citado em uma discussão anterior, tentei jogá-lo e não consegui, por conta disso.
É o mesmo problema que enfrentei com o Diacho, por exemplo. Não tenho o letramento necessário para atribuir significados às formas e caracteres apresentados. Simplesmente não consigo entendê-los.

Janos disse...

Minha mãe tinha muita dificuldade de entender os "gráficos" dos desenhos animados. Ela dizia não saber como nós víamos alguma coisa ali. E dizia o mesmo em relação à música que eu ouvia quando adolescente. Para seus ouvidos era apenas barulho. Um dia, sentado na sala, ouvindo o som que estava ligado lá no meu quarto, "percebi" como aquilo soava como barulho, não como música. Me desliguei, por um momento, do meu esquema perceptivo, e descobri o significado de "aprender a perceber". Logo que voltei ao meu esquema perceptivo, voltei a perceber o barulho irritante como música agradável.

Eu acho que é uma questão de adequação perceptiva. Eu vejo perfeitamente tudo que está ali nos jogos com gráficos simples, sem nenhum dificuldade. Pelo contrário, tenho dificuldade quando se trata de interfaces ditas "amigáveis". Para mim elas são tão irritantes quanto o ajudante do WORD. Então eu acho que o conceito de amigável é relativo, embora você provavelmente tenha muito mais que dizer sobre isso, já que é sua formação.

Henrique Magnani disse...

ah, sim... por isso que pus um "para mim" e, depois, "não-amigáveis" entre aspas...

mas é que, mesmo com boa vontade, ainda não consegui jogar tranquilamente jogos com gráficos semelhantes, o que me causa certa frustração. o esquema é outro e ainda não o entendi.

Janos disse...

Sem estresse. Como eu disse, tem jogos que eu também não consigo jogar tranquilamente (na verdade, a maioria deles, confesso).

Nessas horas ajudaria muito o contato face-a-face. Se ainda tiver o interesse, eu posso te mostrar como funciona quando nos encontrarmos pessoalmente, que deve acontecer um dia, quem sabe...

Abraço

Janos