
Desenvolvedor: Kian Bashiri
Plataformas: Windows
Data de lançamento: 2008
Gênero: Game art
Duração: Cerca de 5 minutos
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Regras sociais do individualismo
Este é um jogo que eu me esqueci de incluir ano passado. Kian Bashiri o criou para representar a experiência de andar de metrô na sua cidade, Estocolmo, onde, segundo o autor, as pessoas se esforçam para ignorar umas às outras. Ele percebeu que a interação nesse meio tem uma regra silenciosa: não fazer contato "olho a olho" com os estranhos. Este contato olho a olho representa um gesto constrangedor numa sociedade individualista, onde as pessoas querem evitam a intimidade e contato face a face, privilegiando interações "virtuais". Interagir com o outro cara a cara seria algo "inapropriado", uma espécie de invasão de privacidade.
O sistema de pontuação do jogo reflete o interesse da maioria das pessoas. Você ganha pontos por olhar para as coisas que as pessoas têm: celulares, MP3 players e acessórios, mas perde se olhar por tempo suficiente para a pessoa perceber seu olhar. Ou seja, você tem que fingir que não estava olhando. E o que este olhar representa? Talvez o desejo de consumir aqueles produtos, talvez uma depreciação pelo "mal gosto" dos outros. O que o olhar da pessoa representa? Talvez uma reprovação. Talvez uma abertura para o diálogo. De qualquer forma, esta é uma forma de interação que eu chamaria de patológica, onde há desejo de se relacionar com os objetos, mas não com as pessoas. Isto quer dizer que as pessoas são reduzidas aos produtos que elas usam.
O jogo serve como ilustração para uma crítica à frieza e a insensibilidade típicas das sociedades modernas. Não é apenas no metrô de Estocolmo que essa "regra social implícita" se aplica. No ônibus da minha cidade, e em muitas outras situações, as "regras de conduta do metrô" se aplicam também. Essa simulação, mais do que uma metáfora, é uma forma de nos fazer perceber um elemento psicológico das interações sociais no meio urbano. O autor, o mesmo de "You have to burn the rope" está de parabéns por ter conseguido usar a mídia dos jogos de forma tão lúcida.
O sistema de pontuação do jogo reflete o interesse da maioria das pessoas. Você ganha pontos por olhar para as coisas que as pessoas têm: celulares, MP3 players e acessórios, mas perde se olhar por tempo suficiente para a pessoa perceber seu olhar. Ou seja, você tem que fingir que não estava olhando. E o que este olhar representa? Talvez o desejo de consumir aqueles produtos, talvez uma depreciação pelo "mal gosto" dos outros. O que o olhar da pessoa representa? Talvez uma reprovação. Talvez uma abertura para o diálogo. De qualquer forma, esta é uma forma de interação que eu chamaria de patológica, onde há desejo de se relacionar com os objetos, mas não com as pessoas. Isto quer dizer que as pessoas são reduzidas aos produtos que elas usam.
O jogo serve como ilustração para uma crítica à frieza e a insensibilidade típicas das sociedades modernas. Não é apenas no metrô de Estocolmo que essa "regra social implícita" se aplica. No ônibus da minha cidade, e em muitas outras situações, as "regras de conduta do metrô" se aplicam também. Essa simulação, mais do que uma metáfora, é uma forma de nos fazer perceber um elemento psicológico das interações sociais no meio urbano. O autor, o mesmo de "You have to burn the rope" está de parabéns por ter conseguido usar a mídia dos jogos de forma tão lúcida.

4 comentários:
Não joguei, mas gostei da ideia do jogo, imitar o que fazemos como algo fora de nós parece ser interessante para pensarmos no que fazemos sem pensar.
Vc tem deixado boas dicas por aqui...
Valeu. Acho que a idéia de simular o comportamento humano serve como forma de nos dar uma "segunda chance" de pensar no que fazemos, mas sei que isso também pode ser usado para fins bem menos "reflexivos".
Abraço
É verdade, o jogo além de uma tese, carrega uma intenção, neste metro rules of conduct a intenção é refletir sobre nosso comportamento, mas em outros jogos de simulação a intenção é substituir a realidade,e ai observamos os casos extremos de viciados em jogos que perdem a capacidade de lidar como real.
Bem lembrado. Eu tenho aprendido a olhar para minha intenção quando eu digo algo, e isso me leva a olhar para a intenção dos outros também, mas quase sempre isso é muito mal recebido.
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